Singular Idade

-=Quem é que disse que era ruim fazer 30 anos?=-

terça-feira, agosto 05, 2008

La Barca...


Há quinze anos, ela foi viajar. Para nunca mais voltar.

Foi isso que eu senti quando a minha avó paterna, Nair, morreu.

Ela sempre dizia que, se algum dia fosse internada, morreria.

Cumpriu a promessa.

Ralando laranjas para fazer doce, sentiu uma forte dor no braço. Era uma crise de angina, internaram, e na manhã seguinte veio a notícia do infarto fulminante durante a madrugada. Morreu dormindo...

***

Para escrever sobre a Nair, resolvo ouvir seus boleros preferidos, La Barca e Sabor a Mi. Minhas memórias de infância ecoam boleros. Luis Miguel, Julio Iglesias, Manolo Otero. E música francesa também: Edith Piaf, Charles Aznavour...

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Quando muito pequena, morávamos com minha avó, mas depois, houve uma separação de alguns anos. Lembro-me de quando ela voltou a morar em casa, eu tinha uns 5 anos. Quando pequena, eu sempre ia dormir às 20h. No dia em que ela chegou, lembro-me muito vivamente do rádio relógio marcando 1:05h na hora em que fui dormir. Nunca mais dormi antes da meia-noite. Ah, quantos Corujões assistimos juntas! Depois de fazer suas orações por horas (tinha calos nos joelhos), pois achava no fundo que, se esquecesse de alguns dos seus muitos santos de devoção, o mesmo se sentiria ofendido, ficava bordando e assistindo TV até às 4, 5 da manhã. E eu, que dividi o quarto com ela até a época de sua morte, quando eu tinha 17 anos, ficava junto acordada.

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Adorava uma intriga. Com as irmãs (elas eram em sete, ao todo), trocava cartas que normalmente eram encerradas com a frase “Queime esta carta”. Tinha personalidade tão forte que demorou muito tempo para eu perceber que era muito baixinha, tinha pouco mais de 1,50m. Foi preciso personalidade para ser uma mulher desquitada quando poucas tinham essa coragem. Lembro-me quando um padre disse, na missa, que pessoas separadas não eram exatamente bem-vindas em sua paróquia. Coitado, teve que ouvir tanta coisa na rua quando cruzou o caminho da minha avó! Por que ela era assim, tinha uma grande intimidade com a igreja, com os santos, intimidade essa que lhe dava o direito de altercar-se com seus representantes quando achava que estavam errados. Como quando quase atacou um franciscano (o santo da pobreza) que quis expulsar da igreja uma pobre mulher que pedia dinheiro...

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Fumava, sem tragar, cigarros longos – lembro-me de quando existia um cigarro chamado Ella, com florzinhas desenhadas no filtro. Não, ela não era a vovó dos biscoitinhos e dos biquinhos de tricô em guardanapos. Era a avó dos perfumes, boleros, romances, cabelos tingidos com henna, avermelhados. Tinha muitos amigos gays, porque elas a achavam simplesmente um luxo, uma musa...! Freqüentadora assídua de brechós, quem esquece seu casaco de oncinha, o de tigre e vários outros de pele, que ela, com um incrível senso fashion garimpava? Ah, como eu adorava seus mocassins de salto alto e grosso! Nunca na vida minha avó usou uma calça comprida. Somente vestidos ou saias. Lembro que ficou uma semana de mal de mim quando cortei o cabelo curtinho – para ela, uma mulher devia ser feminina. Lembro-me de suas maquiagens. Lápis de sobrancelhas, blush (que ela usava com parcimônia, diferente de algumas velhinhas que perdem o senso e pintam duas bolinhas vermelhas nas bochechas). E o batom vermelho. Para escrever sobre a Nair, passei perfume, batom, soltei o cabelo. Ela iria gostar do meu cabelo, está comprido...

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Devia ter uns 75 anos quando morreu. Como saber, se ela mentia a idade até para os médicos, e até tinha uma identidade falsa, com idade menor...? Graças a seus cremes, loções e diversas receitas caseiras, parecia ter pouco mais de 50. Suas irmãs, quando a viram no caixão, sentiram inveja de sua aparência. “Como ela está linda!”, diziam, entre lágrimas. Todas mais novas do que ela, pareciam ter pelo menos 10 anos mais.

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Durante muitos anos foi professora: junto com meu avô, seu ex-marido, que era jornalista e escritor, teve uma escola em São Paulo. Ensinou muita gente, inclusive adultos estrangeiros, a escrever. A mim, ensinou o gosto pela leitura, que me acompanha desde então.

Quanto ao meu avô, não cheguei a conhecê-lo. A personalidade forte da Nair nos afastou dele, cheguei a falar com ele por telefone, mas, quando estava marcando de ir para São Carlos visitá-lo... menos de um ano depois da minha avó, ele se foi. Em seu funeral, conversando com sua irmã, descobri que ele nunca tinha deixado de amar minha avó...

***

A Nair nunca foi uma pessoa fácil. Amor e ódio às vezes se confundiam, e brigas sempre aconteciam. Mas a Nair é inesquecível, para todos que a conheceram.

Obrigada, vó.

Por me ensinar a dormir tarde, amar os livros, falar palavrões e tomar água tônica.

Obrigada por tudo.

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(e tomara que eu puxe você e chegue aos 75 com cara de 50!)


terça-feira, julho 17, 2007

...orgulho, sensibilidade e morros uivantes...

Devo admitir.

Tenho um carinho especial por romances ingleses de época.

Ah, o Morro dos Ventos Uivantes....! Li o livro, a HQ, da série Classics Illustrated (que eu adoro, adoro, adoro e acabei completando através do Mercado Livre), vi o filme.

Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, Jane Eyre, aaahhhhh!!

Todos aqueles babados, os flertes, os sofrimentos escondidos ou escancarados, mocinhas febris de amor....!!!

Apesar de ter mente aberta, e ser aquariana (não dizem que os aquarianos vivem muito à frente de seu tempo?) acho que, no fundo...

sou uma mocinha vitoriana!

quinta-feira, maio 03, 2007

It´s all in my head.....

Outro dia recebi dois torpedinhos mal-educados. De uma pessoa que havia dito que ia me tirar “do msn, no orkut, do skype, ‘enfim’, da vida dele” (uma semana depois me manda dois sms´s... tsc, tsc. tsc....)

Na hora, deu aquela “coceirinha” no dedo para responder. Mas, responder o quê?

Pensei... “A-há, vai ficar sem respostinha!!*”

Mas, é claro... na minha cabeça, elaborei respostas imensas... toneladas de provocações, argumentos de dar inveja a um advogado dos bons, gracejos fulgurantes, de deixar a pessoa com cara de tacho...

Ele deve estar puto na vida. Porque, é claro, estava esperando minha resposta para deflagarmos uma guerrinha – onde os torpedos seriam, literalmente, as armas. Não aceitei o duelo. Resolvi deixar tudo na minha cabeça.

Muitas vezes faço isso. Quando recebo uma provocação, ofensa, quando estou chateada com alguém, com alguma coisa atravessada na garganta, crio discursos impressionantes...!! Digo, mentalmente, tudo que nunca diria, se estivesse frente à frente. Sei disso porque, quando realmente fico frente à frente, os argumentos se esvaem. Digo duas ou três palavrinhas sobre o assunto. Se disser.

Porque, muitas vezes... a coisa já se resolveu toda.

Na minha cabeça....

-=-=-=-=-=-

*(esta frase não é minha, peço licença para usá-la)

quinta-feira, abril 26, 2007

Laquê, ou... Quando a idade chegar

Eu sei. A não ser que algo de muito estranho aconteça comigo, laquê não fará parte da minha lista de compras quando eu ficar velha.

Ontem fui a um evento, daqueles “colunáveis”. Aliás, esperávamos o Amaury Jr. aparecer por detrás de alguma coluna a qualquer momento, mas não. Apenas uma entrevistadora de algum programa de cidade pequena apareceu, desfilando maquiagem carregadíssima, saltos e vestido curto.

Cabelos louros, peles de frango assado, batons claros cintilantes vários milímetros além das bocas (algumas, já preenchidas com colágeno). Por que, por quê? O que leva pessoas a usarem tanto laquê? Será que a soma idade+dinheiro acaba com o senso de ridículo de algumas mulheres? Por que a dona da festa usava um vestido tão horrível? De ótimo tecido, acabamento perfeito, parecendo um vestido de criança em uma senhora de 60 anos....

Eu sei, no fundo do meu ser eu sei que não vou usar uma camada de dois dedos de base alaranjada e dois círculos de “rouge” nas bochechas, balançando carreiras de pulseiras douradas, quando ficar velha.

Aliás, gosto de imaginar como serei, quando a idade chegar.

Quero fazer cerâmicas e pintar quadros. Ser uma velhinha maluquinha, excêntrica, dirão. Usar roupas coloridas, um poncho, talvez? Cabelos desalinhados ou bem curtinhos.

Quero ter uma casa onde as pessoas gostem de ir, fazer chá de jasmim e biscoitos de gengibre. Continuar ouvindo as músicas mais doidas que encontrar. Quero ter crianças à minha volta. Netos? Sobrinhos não dá porque não tenho irmãos. Filhos dos vizinhos, pode ser... quero com eles desenhar, contar histórias.

Cuidar de um jardim, porque então já terei mais jeito com plantas, espero...

Bordar e ler muito, como minha avó.

Sem laquê.

segunda-feira, abril 23, 2007

Luv Mondays

Algumas pessoas poderão pensar que sou louca por conta do que vou dizer.

Sim, adoro segundas-feiras...!!

Contrariando a maioria da população, que começa a semana resmungando por ter que voltar ao trabalho, para mim a segunda-feira é um dos melhores dias.

É um dia fresco, novo. Semana novinha em folha, recomeço.

Chance de fazer mais. De fazer melhor. De começar novas coisas.

Dia mundial do Começo da Dieta...!

É a chance e fazer bem feito o que você empurrou com a barriga na semana anterior. E a sensação de trabalho bem feito não é uma coisa ótima?

É dia até, vejam só, de voltar a escrever no blog há tempos esquecido....

Aproveite – recomeços são sempre bons...! Não comemore só o Ano Novo, mas também o novo mês, a semana nova, o novo dia...

E recomece!!!

Boa segunda...

quinta-feira, novembro 09, 2006

Amei de paixão o Museu Afro Brasil!!!
Tinha tanta coisa legal para ver, no fim acabei não conseguindo ver tudo...
Gostei principalmente da exposição "Território Ocupado",
com os grafiteiros Speto, Nunca, Ciro, Melim, Kboco e Onesto - que fica na verdade dentro da mostra "Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro" - ótima, vale a pena conferir!!!

Sossego é uma árvore frondosa, que lhe oferece sombra no momento certo, quando você mais precisa...

Felicidade é encontrar aquela pitangueira carregadinha, numa manhã ensolarada...

Desejo é aquela troca de olhares que te faz ruborizar, como se todo mundo percebesse que o sangue está correndo mais rápido pelo seu corpo...

Solidão é você, sentada num banco de um parque, com o céu nublando e um vento cortante, esperando ninguém... e se o telefone tocar, não é para você.

-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Pouca bateria. Pouco tempo e muito tempo pra gastar. Os minutos não passam. As horas se alongam. Teria dado tempo de fazer um milhão de coisas, além de esperar, esperar. Você se sente perdida e sozinha. E até que a sensação não é tão ruim assim. Parece que o tempo parou, e entre todas aquelas pessoas que passam por você, ninguém sabe seu nome. Ninguém se importa. Você é anônima. E você espera. Longamente. Quem...?

domingo, outubro 22, 2006

* Domingão: camarãozinho, cerveja gelada, sol... só faltou um mar e a areia em volta!

*Ontem exagerei na raiz forte, levei um susto e mordi minha língua. Tá doendo ainda...

*Delta Blues Bar – sempre me sinto em casa. Há mais de dez anos...