Conversando sobre questões de idade, um amigo me disse que "ser menino" é ver as coisas mais coloridas.
Então comecei a pensar em todas as pessoas que, com o tempo, deixam de ver as cores, enxergam a vida em tons de cinza, ou ainda pior, em preto e branco. Deixam de se comover com o belo, de se divertir com pequenas "besteirinhas". Quando se é jovem, diverte-se com pouco. Mas, com o passar dos anos, vai-se virando muito adulto, e as pessoas precisam de cada vez mais para se divertirem, se entreterem. Na busca pelo "cada vez mais", acabam perdendo o essencial: as cores da vida.
Acredito que se pode ser "menino" e adulto responsável ao mesmo tempo. Afinal, é assim que me sinto, menina-mulher. Às vezes as atribulações diárias, preocupações, decisões, etc, são tantas, que tenho medo de me perder... Mas, então, vou dar uma volta, e a explosão de cores dos ipês, buganvílias, azaléias, entre outras, me deixa tão feliz que sei que esta sou eu, e não
são elementos externos que vão me mudar.
Perto de mim, quero pessoas que vejam o pôr-do-sol, pelo menos uma vez por ano, que percebam um arco-íris, gostem de cachorro, sorvete, que sejam capazes de sentar no chão em meio a muitos lápis de cor pra desenhar com uma criança, que saibam chorar e sorrir...
Gosto de gente que usa terno mas gosta de andar descalço na terra, de gente que lembra com saudades dos bolinhos de chuva da avó (os da minha eram passados no açúcar e canela).
De gente que vê a vida com 16 milhões de cores. Pelo menos.